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Possível colaboração de Vorcaro avança no STF e inquieta deputados e senadores

Contatos, presença em festas e conversas podem ser motivos de preocupação para políticos do círculo social do banqueiro

19/03/2026 às 07h43
Por: George Cabral, Jornal Ivi MS Fonte: R7
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Possível colaboração de Vorcaro avança no STF e inquieta deputados e senadores

Após a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a expectativa — e a tensão — por um acordo de delação premiada paira sobre Brasília. No Congresso Nacional, o clima não é diferente.

Nos últimos dias, a CPMI do INSS, que teve acesso aos documentos do inquérito da Polícia Federal, identificou os números do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na agenda telefônica de Vorcaro.

De acordo com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a lista de contatos do banqueiro é imensa e, nos materiais sigilosos enviados ao Senado, foram encontradas imagens que mostravam diversos parlamentares.

“Eu vi uns rostinhos bem conhecidos ali, parlamentares de todos os cantos políticos, esquerda, centro”, revelou.

Como muita gente pode ser citada em uma delação premiada, segundo o cientista político da UnB (Universidade de Brasília) Murilo Medeiros, o Congresso tende a entrar em “modo de espera” caso o acordo se concretize.

“O país passará a funcionar em ritmo reduzido, com agenda legislativa travada e uma atmosfera permanente de suspeição, enquanto governo, parlamento e judiciário aguardam os desdobramentos da investigação”, prevê.

 

Além disso, em ano eleitoral, o peso das ações deve ser ainda maior e os próximos passos serão milimetricamente calculados. A criação de uma CPI sobre o Banco Master deve continuar represada. “Ninguém quer abrir uma caixa-preta sem saber a dimensão do que pode sair dela”, avalia o cientista político.

Há pelo menos cinco pedidos para instalar comissões com o objetivo de investigar o escândalo do Master, tanto na Câmara quanto no Senado.

Medeiros observa ainda que, caso a delação traga elementos robustos, o caso pode ganhar contornos semelhantes aos da Operação Lava Jato, caracterizados pela hiperpolitização das investigações e pela erosão da confiança nas instituições.

“É um terreno fértil para a reativação do discurso anticorrupção como eixo central do debate público”, conclui.

Primeiros passos para a delação

Na terça-feira (17), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça recebeu o novo advogado de Vorcaro, José Luis Oliveira Lima, para tratar de uma possível delação premiada.

Conhecido no meio jurídico como “Juca”, o defensor substituiu o advogado Pierpaolo Bottini, que alegou motivos pessoais para deixar o caso. Ele já havia dito que descartava uma colaboração.

Juca já atuou em diversos acordos, como o de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS e delator da Operação Lava Jato.

Vorcaro passou a cogitar delatar quem teve relações com ele, como políticos e até membros do Judiciário, após o STF formar maioria para mantê-lo preso. Detido em São Paulo no início de março, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília, de segurança máxima.

Nesta quarta-feira (18), o ministro André Mendonça prorrogou o inquérito da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo o Banco Master.

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