
O prefeito de Batayporã, Germino Roz, rompeu politicamente com o deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil) após divergências sobre o traçado do acesso rodoviário que vai ligar Mato Grosso do Sul ao Paraná. O impasse ganhou força após o lançamento do anteprojeto da ponte entre os dois estados, quando foi confirmado que a ligação deverá passar por Taquarussu, e não por Batayporã, como defendia o município.
A crise teve origem em uma reunião realizada na semana anterior ao anúncio oficial. Segundo a Prefeitura, Hashioka já tinha conhecimento de que o traçado não incluiria Batayporã, mas não informou essa definição ao prefeito. A omissão teria impedido uma articulação prévia do município para defender sua proposta.
Em contato com a reportagem na segunda-feira (23), o deputado afirmou que não tinha conhecimento do traçado no momento do lançamento do anteprojeto. Disse que só tomou ciência da definição no próprio dia e que não teve acesso ao EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental). Hashioka também declarou que o prefeito Germino está sendo injusto ao atribuir a ele responsabilidade sobre o tema. Apesar da controvérsia, as lideranças não estão dispostas a se encontrarem nas próximas semanas para debater o traçado.
Desde o início das discussões, Batayporã sustenta que o trajeto pelo município seria mais viável do ponto de vista ambiental. Além de já contar com toda estrutura pronta, a alternativa evitaria intervenções em áreas de preservação e reduziria a necessidade de drenagem e desmatamento, argumentos apresentados por Germino em entrevistas recentes.
Hashioka, por sua vez, é apontado como um dos articuladores do projeto da ponte. Na versão inicial, o traçado passaria por Batayporã, posição que o próprio deputado defendia, inclusive em reuniões no município. A mudança no percurso e a falta de comunicação com a administração municipal ampliaram o desgaste político.
O rompimento ocorre apesar do histórico de apoio eleitoral. Batayporã teve papel relevante na eleição de Hashioka em 2022. O deputado foi um dos menos votados entre os eleitos para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), com apenas 0,96% dos votos válidos no Estado. No município, no entanto, obteve desempenho decisivo para superar o então candidato Rhiad, que alcançou 0,80%.
Agora, mesmo com a votação modesta no pleito anterior, Hashioka se movimenta para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Germino já se manifestou no sentido de que está à disposição do partido para ser candidato a deputado estadual.
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